News

  • Depoente diz que Tanure é o dono oculto do Banco Master e Vorcaro era laranja

    Depoente diz que Tanure é o dono oculto do Banco Master e Vorcaro era laranja

    O gestor financeiro Vladimir Timerman afirmou em depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado que Daniel Vorcaro seria apenas o “laranja” do Banco Master — e que Nelson Tanure seria o verdadeiro dono oculto da instituição. O testemunho foi prestado em sessão da comissão parlamentar e representa a acusação mais direta até agora sobre a real estrutura de controle do banco.

    Nelson Tanure é um dos empresários mais influentes do Brasil atual: controla o jornal O Globo, a Oi Telecom, e tem participações em uma série de empresas do setor financeiro. A afirmação de Timerman de que Tanure seria o controlador real do Master — enquanto Vorcaro exercia formalmente o cargo — é uma das mais graves já feitas publicamente sobre o empresário. A estrutura de “laranja” em instituições financeiras é crime previsto na Lei do Sistema Financeiro Nacional, com penas que podem chegar a 8 anos de reclusão. A CPI não tem poder de condenar, mas seu trabalho alimenta a investigação criminal da PF e do Ministério Público.

    Se Nelson Tanure for confirmado como dono oculto do Banco Master, o escopo da crise deixa de ser bancário e se torna midiático e político em escala muito mais ampla. Um empresário que controla o principal jornal do país e, segundo depoimento sob juramento, também controlaria um banco com R$ 17 bilhões em títulos suspeitos e seu dono formal preso — isso levanta perguntas sobre a cobertura que O Globo deu ao caso Master até aqui. A CPI está fazendo seu trabalho. A imprensa precisa fazer o seu.

  • Lula chama Banco Master de “ovo de serpente” e culpa Campos Neto

    Lula chama Banco Master de “ovo de serpente” e culpa Campos Neto

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o Banco Master de “ovo de serpente” da gestão Bolsonaro em evento público realizado em Brasília, responsabilizando diretamente o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pela autorização que permitiu a Daniel Vorcaro assumir o controle da instituição em 2019. A declaração ocorre enquanto a crise do banco se agrava: a instituição acumula R$ 17 bilhões em títulos de dívida de origem suspeita.

    O Banco Master está no epicentro de uma das maiores crises do sistema financeiro brasileiro em anos. Fundado originalmente como banco de nicho, a instituição expandiu exponencialmente sob o controle de Vorcaro após 2019, acumulando passivos que hoje preocupam o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o Banco Central. A investigação em curso apura se a expansão do banco foi sustentada por estruturas de lavagem de dinheiro e se houve favorecimento político na concessão das autorizações regulatórias pelo BC durante a gestão Bolsonaro. Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026 e negocia delação premiada com a PGR.

    Lula é hábil na construção da narrativa — e a metáfora do “ovo de serpente” funciona politicamente. Mas o presidente que denuncia o ovo tem a obrigação de explicar por que o FGC, sob supervisão do Banco Central atual, demorou tanto a agir sobre R$ 17 bilhões em títulos suspeitos. Culpar Campos Neto resolve o problema eleitoral de 2026; resolver a crise do Master exige respostas que Lula ainda não deu sobre o que o seu governo fez — ou deixou de fazer — enquanto o banco continuava operando.

  • Oposição articula derrubada do veto às penas dos condenados do 8 de Janeiro

    Oposição articula derrubada do veto às penas dos condenados do 8 de Janeiro

    A oposição no Congresso Nacional articula a derrubada do veto presidencial ao projeto que altera a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023. PL, Republicanos e setores do Centrão estão em movimento para reunir os 257 votos necessários na Câmara dos Deputados e os 41 votos no Senado Federal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trava deliberadamente a pauta para dificultar a votação.

    Os atos de 8 de Janeiro resultaram em mais de 1.200 condenações pelo STF, com penas que chegam a 17 anos de prisão. O projeto vetado pelo presidente Lula pretendia fixar critérios mais estritos de proporcionalidade nas penas, argumento que a oposição sustenta com base em decisões consideradas desproporcionais pela defesa dos réus. Cerca de 80 investigados ainda aguardam julgamento. O governo mobilizou esforço intenso para sustentar o veto, ciente de que sua derrubada seria interpretada como vitória simbólica da oposição e enfraquecimento político de Lula às vésperas do ciclo eleitoral de 2026. Alcolumbre, aliado do Planalto, age como dique institucional contra a votação.

    O veto às penas dos condenados do 8 de Janeiro está sendo defendido pelo governo como questão de princípio, mas funciona como estratégia eleitoral. Manter penas elevadas e sem revisão é manter o tema vivo como arma de campanha contra Bolsonaro e seus aliados em 2026. O Congresso, ao articular a derrubada, exerce exatamente o papel que a Constituição lhe reserva: ser contrapeso ao Executivo. Que Alcolumbre trave a pauta a pedido do Palácio é o retrato de um Parlamento cujo presidente trabalha para o governo, não para o plenário.

  • Brasil revoga visto de assessor de Trump e trava encontro com Lula

    Brasil revoga visto de assessor de Trump e trava encontro com Lula

    O governo brasileiro revogou o visto de Darren Beattie, consultor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos indicado pela gestão Trump, após ele planejar uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso preventivamente. A decisão criou um novo atrito diplomático de consequências diretas: a reunião bilateral entre Lula e Trump, que já estava sem data confirmada, permanece indefinidamente adiada.

    Beattie é figura de alto escalão na atual administração americana — sua função como consultor sênior do Departamento de Estado o coloca diretamente na estrutura diplomática do governo Trump. A revogação do visto de um oficial americano em exercício é um gesto diplomaticamente agressivo, com precedentes raros na relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. O episódio se soma a uma sequência de atritos desde o retorno de Trump à Casa Branca: tarifas sobre produtos brasileiros, declarações cruzadas e a questão Bolsonaro como pano de fundo permanente de qualquer negociação entre os dois países.

    O governo Lula escolheu o momento errado para bater o pé. Com tarifas americanas ainda incidindo sobre aço e alumínio brasileiros e com uma reunião bilateral necessária para destravar acordos comerciais, vetar a entrada de um assessor de Trump no Brasil por motivos domésticos — a visita a Bolsonaro — é colocar o processo eleitoral acima do interesse nacional. Beattie entrou num avião; o Brasil perdeu uma janela diplomática. A conta, como sempre, chega para a indústria e para o exportador que espera por um acordo que não vem.

  • Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro vira realidade nas pesquisas

    Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro vira realidade nas pesquisas

    Três pesquisas divulgadas na semana de 23 de março consolidam o que os dados vinham antecipando há meses: Lula e Flávio Bolsonaro estão em empate técnico no segundo turno das eleições de 2026. A Quaest marca 41% a 41%. O AtlasIntel registra Flávio numericamente à frente, com 46,3% contra 46,2% de Lula. O Paraná Pesquisas indica Flávio à frente pela primeira vez. A diferença, que era de 15 pontos há três meses, caiu para 3.

    O colapso da vantagem de Lula tem explicação estrutural: o presidente perdeu 9 pontos percentuais entre o eleitorado de esquerda — sua base eleitoral histórica — nos últimos três meses. A combinação de inflação persistente, câmbio desfavorável e percepção de que o governo priorizou articulação política e judicialização sobre entregas concretas corroeu o entusiasmo do eleitor progressista. Flávio Bolsonaro se beneficia diretamente da solidificação do voto bolsonarista em torno de seu nome, após o impedimento eleitoral do pai, e começa a colher dividendos entre eleitores do centro político que buscam alternativa ao petismo.

    Lula chegou ao terceiro mandato com 50,9% dos votos e hoje empata com o filho de seu principal adversário político. Isso não é conjuntura — é colapso de narrativa. O eleitor de esquerda que abandonou Lula não foi para a direita: foi para a abstenção, para a decepção. Um governo que prometeu reconstrução e entregou crise cambial, judicialização eleitoral e troca de ministro às vésperas do ciclo eleitoral não pode se surpreender com as pesquisas. O dado mais relevante não é o empate — é os 9 pontos perdidos na própria casa.

  • STF condena três deputados do PL por desviar R$ 6,6 mi em emendas da saúde

    STF condena três deputados do PL por desviar R$ 6,6 mi em emendas da saúde

    O Supremo Tribunal Federal condenou por unanimidade três deputados federais do PL por desvio de R$ 6,6 milhões em emendas parlamentares destinadas à saúde pública. São eles: Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE). As penas chegam a 6 anos e 5 meses de reclusão. É a primeira sentença criminal envolvendo o chamado “orçamento secreto” — o mecanismo de emendas de relator que distribuiu bilhões fora de qualquer controle público entre 2020 e 2022.

    O esquema do orçamento secreto foi durante anos o principal instrumento de barganha política do Congresso com o Executivo. Parlamentares recebiam emendas bilionárias sem identificação do autor, sem critério técnico e sem transparência, em troca de apoio político ao governo de plantão. O STF declarou o mecanismo inconstitucional em 2022, mas as consequências penais demoram a chegar. Esta condenação é histórica: pela primeira vez, um parlamentar foi efetivamente sentenciado pela manipulação dessas verbas. Outras 80 investigações similares tramitam na Corte, aguardando precedente — que agora existe.

    A condenação é justa e necessária, mas chega tarde. O orçamento secreto funcionou por anos distribuindo dinheiro público sem controle enquanto o STF debatia sua constitucionalidade. Agora, com três condenados, a Corte estabelece que parlamentares respondem penalmente pelo que fizeram com o dinheiro da saúde. O precedente é poderoso: 80 investigações aguardam julgamento. A pergunta incômoda é quantas delas envolvem partidos que hoje compõem a base do governo Lula — e se o ritmo dos julgamentos vai manter a mesma uniformidade.

  • Lula demite Haddad e nomeia Durigan para liberar candidatura em SP

    Lula demite Haddad e nomeia Durigan para liberar candidatura em SP

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Fernando Haddad do Ministério da Fazenda e nomeou Dario Durigan como seu substituto, em decreto publicado no Diário Oficial da União em 20 de março. A mudança tem motivação eleitoral explícita: Haddad é o principal nome do PT para disputar o governo do estado de São Paulo em 2026, e a desincompatibilização antecipada consolida essa estratégia.

    Dario Durigan tem 41 anos, é bacharel em direito e economista com passagem pelo setor privado de tecnologia — foi chefe de políticas públicas do WhatsApp para a América Latina antes de assumir a secretaria-executiva do próprio Ministério da Fazenda, cargo que o torna tecnicamente o substituto natural de Haddad. Durigan é considerado um perfil técnico e alinhado à linha de Haddad, o que garante continuidade à política fiscal do governo. A nomeação ocorre em um momento sensível: a economia brasileira enfrenta pressão sobre o câmbio, déficit primário e desconfiança do mercado em relação ao cumprimento do arcabouço fiscal nos próximos dois anos.

    Lula escala um ex-executivo do WhatsApp para gerir a Fazenda no momento em que o Brasil precisa de credibilidade fiscal. Durigan pode ser competente — mas a mensagem enviada ao mercado é que a grande preocupação do Palácio do Planalto é a eleição de São Paulo, não a inflação nem o câmbio. Haddad saiu, a dívida ficou, e quem paga a conta é o contribuinte que assiste ao governo reorganizar seu tabuleiro eleitoral enquanto o dólar não dá sinal de recuo.

  • Gilmar Mendes barra CPI e protege fundo ligado a Toffoli

    Gilmar Mendes barra CPI e protege fundo ligado a Toffoli

    O ministro Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen — ligado à administradora Reag, investigada no caso Banco Master — aprovada pela CPI do Crime Organizado do Senado. A manobra utilizou como fundamento um processo já arquivado para redirecionar a relatoria do caso, que estava nas mãos do ministro André Mendonça, a outro integrante da Corte. O fundo Arleen tem conexão direta com o entorno do ministro Dias Toffoli.

    A CPI do Crime Organizado investiga uma rede que envolve o Banco Master, a administradora Reag e uma série de fundos de investimento utilizados para movimentar recursos de origem suspeita. A quebra de sigilo do fundo Arleen havia sido aprovada de forma regular pelos senadores da comissão como parte da instrução probatória. Gilmar Mendes, ao cancelar a medida com base em um processo encerrado, efetivamente esvaziou o poder investigativo do Parlamento e desviou a condução do caso. Não é a primeira vez que o STF usa expedientes processuais para blindar aliados políticos de investigações parlamentares.

    O STF acumula um histórico de intervenções cirúrgicas para proteger seu próprio entorno. Gilmar Mendes anulou, com base em processo arquivado — portanto, sem validade jurídica para fundamentar qualquer decisão nova — uma diligência parlamentar legítima. O conflito entre Supremo e Congresso não é ideológico: é a resistência de uma instituição que se tornou parte do problema a qualquer mecanismo de controle externo. Quando o STF começa a usar seus próprios instrumentos para blindar investigações que chegam perto de seus ministros, a Corte deixa de ser Justiça e passa a ser obstáculo.

  • Vorcaro assina delação que pode atingir ministros do STF

    Vorcaro assina delação que pode atingir ministros do STF

    O banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde 4 de março, assinou em 19 de março termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República — etapa inicial e obrigatória antes da formalização de uma delação premiada. Advogados que acompanham o caso estimam que as revelações podem atingir ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares em exercício e servidores de alto escalão do governo federal.

    Vorcaro é o controlador do Banco Master, instituição financeira que acumula R$ 17 bilhões em títulos de dívida de alto risco e está no centro de uma das maiores crises do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. A prisão preventiva, decretada em março, é resultado de investigações que envolvem suposta lavagem de dinheiro, desvio de recursos e uso de estruturas financeiras para favorecer agentes políticos. A etapa do termo de confidencialidade é tecnicamente a antessala da colaboração efetiva: a partir daí, o delatado começa a fornecer informações ao Ministério Público em troca de benefícios penais. A PGR e a PF mantêm sigilo total sobre o conteúdo das tratativas.

    Um banqueiro com R$ 17 bilhões em títulos suspeitos não chegou tão longe operando sozinho. Se os próprios advogados de Vorcaro já antecipam que a delação pode atingir ministros do STF, a pergunta que o Brasil precisa fazer não é “se” — é “quem” e “por quanto tempo esse esquema funcionou protegido”. A delação premiada, instrumento que já derrubou presidentes e senadores no passado, pode ser desta vez a mais explosiva da história recente. A Corte que tanto se preocupou em trancafiar Bolsonaro deveria se preparar para responder às suas próprias inconsistências.

  • Zema vai, direita fica em guerra: Cleitinho e PL disputam Minas sem candidato único

    Romeu Zema deixou o governo de Minas Gerais no domingo (22) para tentar a Presidência da República pelo Novo. O problema é o que ficou para trás: um campo conservador fragmentado, sem candidato único ao governo do estado e com rivais declarados dentro da própria direita.

    O senador Cleitinho (Republicanos-MG) não esperou nem a posse do vice Mateus Simões (PSD) esfriar para lançar candidatura própria ao governo. O PL, por sua vez, está dividido: parte da cúpula considera apoiar Simões — que assume o governo com estrutura e visibilidade —, outra parte prefere construir candidatura própria alinhada a Bolsonaro. Resultado: três figuras da direita apontando para direções diferentes no estado mais estratégico do país fora de São Paulo.

    A renúncia de Zema, feita com discurso inflamado — “o Brasil está sendo destruído” —, foi calculada para o palco nacional. Mas o custo local é imediato: Minas vai para 2026 com a direita em guerra aberta, enquanto o PT e o campo progressista observam a fragmentação sem precisar fazer nada. Zema sai com 4-5% de intenção de voto nacional. Deixa para trás uma disputa que vai consumir energia, dinheiro e tempo da direita mineira nos próximos meses. Quem ganha com isso não é nenhum dos candidatos conservadores.