O gestor financeiro Vladimir Timerman afirmou em depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado que Daniel Vorcaro seria apenas o “laranja” do Banco Master — e que Nelson Tanure seria o verdadeiro dono oculto da instituição. O testemunho foi prestado em sessão da comissão parlamentar e representa a acusação mais direta até agora sobre a real estrutura de controle do banco.
Nelson Tanure é um dos empresários mais influentes do Brasil atual: controla o jornal O Globo, a Oi Telecom, e tem participações em uma série de empresas do setor financeiro. A afirmação de Timerman de que Tanure seria o controlador real do Master — enquanto Vorcaro exercia formalmente o cargo — é uma das mais graves já feitas publicamente sobre o empresário. A estrutura de “laranja” em instituições financeiras é crime previsto na Lei do Sistema Financeiro Nacional, com penas que podem chegar a 8 anos de reclusão. A CPI não tem poder de condenar, mas seu trabalho alimenta a investigação criminal da PF e do Ministério Público.
Se Nelson Tanure for confirmado como dono oculto do Banco Master, o escopo da crise deixa de ser bancário e se torna midiático e político em escala muito mais ampla. Um empresário que controla o principal jornal do país e, segundo depoimento sob juramento, também controlaria um banco com R$ 17 bilhões em títulos suspeitos e seu dono formal preso — isso levanta perguntas sobre a cobertura que O Globo deu ao caso Master até aqui. A CPI está fazendo seu trabalho. A imprensa precisa fazer o seu.









